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Análise Quali-Quantitativa de Microplásticos no Sedimento Arenoso de Praias no Litoral Norte do Rio Grande do Sul

Applied Physics Reviews 2018
Ingrid E. Schneider

Summary

Researchers tracked microplastic trophic transfer in Lake Champlain from zooplankton through forage fish to double-crested cormorants, measuring plastic accumulation at each trophic level. The study documented dietary transfer of particles through three trophic steps, demonstrating that avian piscivores are exposed to plastics accumulated by their prey.

A poluição por materiais plásticos nos oceanos, principalmente por itens de plástico inferiores a 5 mm, denominadas de microplásticos (MPs), é um problema ambiental marinho onipresente. Esférulas de plástico virgem (pellets) e partículas de plástico utilizadas pela indústria de cosméticos, são definidos como microplásticos primários e chegam ao ambiente marinho pela perda durante a sua cadeia produtiva e através do despejo de águas residuais. MPs secundários resultam da fragmentação de plásticos maiores, devido ao processo de degradação físico-química. Este estudo buscou avaliar quantitativamente os MPs, caracterizar quais os tipos de plástico (pellets e/ou fragmentos) predominam e se a sazonalidade interfere na quantidade de MPs em três praias arenosas do Litoral Norte do Rio Grande do Sul: Torres – Praia Grande, Capão da Canoa e Cidreira – Cabras. Nas 4 estações do ano, foram realizadas coletas em seis pontos em cada praia, sendo três na linha de maré e três no início dunas. O sedimento superficial foi coletado com o uso de um quadrante de 50 x 50 cm. No laboratório, as amostras foram secas em estufa a 100ºC, peneiradas em peneiras granulométricas com malhas de 1 mm e 4,75 mm e, classificadas em fragmentos ou pellets. No total, coletaram-se 1.727 MP, sendo 886 unidades (un.) de fragmentos e 841 un. de pellets. A praia que apresentou maiores quantidades de MPs foi Cabras com 1.083 un. (783 un. de pellets e 320 un. fragmentos), seguida por Capão da Canoa com 482 un. (423 fragmentos e 59 pellets) e Torres com 162 um (143 fragmentos e 19 pellets). Em relação às estações do ano, a presença de MPs ocorre ao longo do ano todo e é permanente nas três praias. A primavera foi a estação que teve maior acúmulo de microplásticos (687 un.), seguido pelo inverno (462 un.) e verão (410 un.), enquanto que no outono, foram encontrados apenas 168 MPs. A menor deposição de MPs no outono pode ser atribuída, a energia das ondas pouco expressiva, não ultrapassando 1,1 m e aos ventos que foram praticamente inexistentes. Enquanto que nos outros períodos, houve maior variação oceanográfica, pois as ondas foram maiores que 1,6 metros e os ventos predominantes foram de nordeste, oeste e sudoeste. A análise estatística comprovou que há diferença de deposição de MPs entre as praias e não entre os ambientes (linha de maré e dunas). Fatores como a ação dos ventos, a energia e altura das ondas, a dinâmica praial, bem como a circulação oceânica e as correntes, atuam em conjunto no aporte de MPs nas praias. Portanto, os resultados apresentados, evidenciam a problemática dos microplásticos no sedimento de praias.

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