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Variação interdecadal das densidades de zooplâncton e microplásticos em um sistema estuarino tropical
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Researchers analyzed archived zooplankton samples from the Itamaracá estuarine system in Brazil spanning four decades (1973–2008) and found that microplastic concentrations—dominated by translucent fibers under 0.5 mm—showed no statistically significant change across decades, suggesting microplastic contamination was already prevalent in the estuary as early as the 1970s.
Uma das principais ameaças antropogênicas para ecossistemas marinhos na atualidade são os microplásticos. Por mais que tenha ocorrido um aumento considerável no número de trabalhos envolvendo a contaminação da biota aquática por microplásticos durante os últimos anos, esses estudos são geralmente pontuais e temporariamente restritos. Em síntese o presente estudo, aborda o desafio das análises decadais através de uma valiosa e única coleção de amostras de plâncton que são referentes a um período de quatro décadas (1970 a 2000), coletadas para coleção de amostras científicas pertencentes ao Museu de Oceanografia Professor Petrônio Coelho (MOUFPE). Por conseguinte, este é um estudo brasileiro com microplásticos e organismos zooplanctônico in situ cobrindo um longo período, tendo como principais objetivos: (i) Realizar um regaste histórico sobre a contaminação por MP ao longo das décadas no sistema estuarino de Itamaracá ao longo do Canal de Santa Cruz, (ii) e relacionar tal variação com a comunidade zooplanctônica. Para analisar a ocorrência de partículas de microplásticos do complexo estuarino de Itamaracá, em termos quanti-qualitativos, foi necessário realizar um levantamento histórico das amostras de zooplâncton que compreendem um período de coleta realizado entre 1973-2008. Foram então selecionadas amostras de forma aleatória para cada uma das décadas, a fim de representar a evolução das concentrações de microplásticos ao longo do tempo neste sistema estuarino. As amostras foram obtidas através de arrastos horizontais à subsuperfície realizados por meio de uma rede de plâncton cônico- cilíndrica com malha de 64 μm de abertura, em dois dos principais rios da região (Rio Igarassu e Rio Botafogo), que desembocam no Canal de Santa de Cruz em Itamaracá. As análises de microplásticos foram obtidas através de alíquotas 30 ml, posteriormente cada subamostra foi submetida diretamente ao processo de digestão da matéria orgânica com a solução de hidróxido de potássio (KOH 8%) e hipoclorito de sódio (NaClO), sendo os MPs quantificados de acordo com tipo, cor e forma após o processo digestivo. Para confirmação polimérica, e posteriormente analisadas quimicamente com Espectroscopia no Infravermelho por Transformada de Fourier (FTIR). O tipo de microplástico flutuante predominante foram as fibras e representam mais de 90% dos itens presentes no ambiente. Os MPs translúcidos foram os mais abundantes em todas as décadas. A faixa de tamanho com maior abundância relativa foi a de 0,5-0,1 mm. Os resultados obtidos através do teste de Kruskal-Wallis (p-value > 0.05) provou que não existe diferença estatística nas concentrações de microplásticos ao longo das décadas. O teste de Sperman (p-value > 0.05) mostrou que não existe correlação entre as concentrações, tipo, cor de microplásticos e zooplâncton ao longo das décadas. Notadamente é de suma importância obter dados atualizados e ampliar a amostragem para realizar comparações com os resultados obtidos neste trabalho. Ainda existe um longo caminho para compreender as interações de microplásticos ao longo do tempo, no entanto os resultados apresentados neste trabalho auxiliam no entendimento das densidades reais de MPs em ambientes estuarinos e como suas concentrações já eram predominantes no ambiente desde a década de 70, o que pode ameaçar toda a biota aquática local.
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